COPACABANA em muito mais de 100 anos


Existem praias tão lindas, cheias de luz,
Nenhuma tem o encanto que tu possues,
Tuas areias, teu céu tão lindo,
Tuas sereias, sempre sorrindo.

Copacabana princesinha do mar,
Pelas manhãs tu és a vida a cantar,
E a tardinha o sol poente,
Deixa sempre uma saudade,
Na gente.

Copacabana o mar eterno cantor,
Ao te beijar, ficou perdido de amor,
E hoje vive a murmurar, só a ti,
Copacabana eu hei de amar.

(Copacabana, 1946, de Alberto Ribeiro e João de Barro, 1ª gravação de Dick Farney)


Uma princesa isolada

Os índios chamavam tanto a praia quanto regiões próximas, como a Lagoa Rodrigo de Freitas, de Sacopenapã (Caminho dos Socós ou Praia ou trecho de terra batido ou pisado pelos socós, em tupi-guarani)*. A ocupação efetiva da Princesinha do Mar somente foi iniciada entre os séculos XIX e XX. Até então, o mais famoso bairro da Cidade Maravilhosa era quase deserto.

*Alguns dizem que era Sapopenipã ou Capopenipem: local de raízes chatas do fundo lamacento da lagoa, talvez se referindo às raízes dos arvoredos dos manguezais da Lagoa Rodrigo de Freitas; ou dos pés de aves aquáticas como os dos flamingos, biguás e patos selvagens nativos, que eram comuns naquela época; ou dos bancos de areia ou trechos de praia frequentados por essas aves na região.

Sabe-se que o termo tupi sapópema significa "raiz (sapó) angulosa ou esquinada (pem ou pema). Assim os antigos tupinambás do Rio de Janeiro designavam as grandes árvores de imensas raízes, as quais não são chatas, mas altas e estreitas, tabulares, e formam verdadeiras paredes na parte baixa, características de algumas espécies de grandes árvores da Mata Atlântica, que podem passar os 20 metros de altura. Até o século XVI, existiu uma grande taba tupinambá denominada Sapopéma onde hoje estão os bairros de Bento Ribeiro, Deodoro e Vila Militar, entre a Zona Norte e Oeste do Rio.

Essa localidade oceânica sempre atraiu o interesse de diversos habitantes, desde praticamente a fundação da cidade, em 1565, pois a ocupação do Rio de Janeiro começou dentro dos limites da Baía de Guanabara, e Copacabana era a mais próxima área de mar aberto aos primeiros núcleos urbanos.

Orla em 1893, recriação do artista gráfico Guta.


Simulação digital da orla de Copacabana como era no século XVI (no canto direito, o promontório sobre o qual foi construído o Forte).
Fonte: http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/rio-450-anos/fotos/2015/02/fotos-veja-imagens-do-antes-e-depois-de-paisagens-do-rio.html

A Praia de Sacopenapã era uma princesinha ainda virgem (não urbanizada), quando apenas os índios se banhavam, pescavam ou coletavam mexilhões, siris e demais frutos do mar. Nota-se à direita a extinta Pedra do Inhangá, local onde se encontra o Copacabana Palace Hotel.



Prainha e Grumari, duas áreas de preservação ambiental na Zona Oeste do município do Rio de Janeiro, apresentam geografia física comum às diversas praias fluminenses, e pode nos dar uma visão próxima de como era Copacabana antes da urbanização também através da fauna e flora nativas preservadas.

Apesar da região ter sido visitada pelo explorador português Gaspar de Lemos em 1502, a cidade do Rio de Janeiro só foi fundada, você sabe, em 1º de Março de 1565 por Estácio de Sá. Graças ao "milagre" da computação gráfica, podemos simular como era a topografia das demais partes da orla carioca no século XVI.


 A enseada de Botafogo foi batizada assim em 1590, quando Antônio Francisco Velho vendeu as terras para João Pereira de Sousa, chefe da artilharia do galeão Botafogo.

A orla das praias de Ipanema e Leblon, chamada pelos portugueses desbravadores de Costa Brava ou Praia Brava. O curto estuário do canal natural da Lagoa Rodrigo de Freitas, hoje Jardim de Alah (região de mangue no centro da imagem), na época era habitada pelos índios Tamoios. Eles chamavam toda essa região de Piraguá, junção de "pirá" (peixe) com "kuá" (praia ou enseada). O local onde as águas salobras desaguavam no mar era bom para pescar os cardumes que entravam e saíam da Lagoa, por isso ganhou dos índios o nome "Praia do Peixe".

Mapa de 1965 indicando os aterros sobre as margens da Lagoa Rodrigo de Freitas feitos na época e em tempos anteriores. 

Ipanema significa “águas perigosas ou ruins” em tupi. Mas o nome não se refere ao bairro e sim a um rio paulista, em Iperó. O bairro recebeu o nome atual em homenagem ao primeiro Barão e Conde de Ipanema (não por acaso nome de uma rua em Copacabana), por seu filho o 2º Barão de Ipanema, o Comendador José Antonio Moreira Filho, que adquiriu um dos dois lotes da antiga Fazenda Copacabana. Em 1883 o Barão de Ipanema criou o Loteamento Villa Ipanema, tendo como sócio Antonio José Silva e o autor do projeto, o engenheiro Luís Raphael Vieira Souto, no que viria a ser Ipanema.

Leblon: o nome teve sua origem numa chácara pertencente ao holandês Charles LeBlon que existia no local no século XIX e passou a ser chamado de Campo do Leblon. Em 1845 virou uma fazenda de gado antes de ser loteado.

Fonte sobre o nome dos bairros Ipanema e Leblon: http://diariodorio.com/nome-dos-bairros-do-rio-de-janeiro/

Fonte das duas imagens: https://www.behance.net/gallery/Metro-Rio-Agencia-Script/14127031

A baixo, três pinturas do artista carioca contemporâneo Eduardo Camões retratando Copacabana no século XIX:


Vista do alto do Morro Cantagalo (Leme ao fundo).

Ao fundo, o Leme. Dizem que o nome da praia e do bairro adveio do formato do morro, que toca o mar, em forma de leme de embarcação voltado pra cima (de 124 m). Porém, o mais provável é que venha da propriedade à qual faziam parte no século XVIII: Chácara de Francisco Pereira Leme ou Chácara do Leme.

Vista da pedra do Forte de Copacabana (Ipanema e Leblon ao fundo).


Nesse desenho feito nas primeiras décadas do século XIX podemos visualizar, ao fundo, a ponta onde estava a igrejinha que deu nome ao bairro: Nossa Senhora de Copacabana.

Do alto dos morros em volta, ou na própria areia da praia, o europeu da colônia fundada por Estácio de Sá podia vislumbrar o vasto horizonte azul que o separava do Velho Mundo, visto que dentro do cercado verde e rochoso da baía não é possível fazer o mesmo. Entretanto, por cerca de três séculos, não era fácil admirar, em terra, o mar de Copacabana.



Essas fotos do século XIX (a logo a cima foi colorida posteriormente) são alguns dos últimos registros da restinga de Copacabana e Leme, que rapidamente desapareceu engolida pelas ruas, avenidas, praças e edifícios trazidos pela voraz urbanização. Em 1906, havia, oficialmente, apenas 297 habitantes; em 2006, cerca de 161 mil.


O Parque da Chacrinha é um dos últimos resquícios de área de mata de Copacabana.

PARQUE ESTADUAL DA CHACRINHA


Localiza-se na vertente sul do Morro de São João, na rua Guimarães Natal s/n. Estende-se ao longo da Ladeira do Leme, desde a Praça Cardeal Arcoverde até o antigo pórtico da Forte do Leme, fortaleza que controlava o acesso de Copacabana a Botafogo. A pequena chácara que pertencia ao forte era chamada de Chacrinha, a qual deu nome ao local. O parque foi fundado em 1969 e desde 2007 é administrado pela Prefeitura do Rio.

Com 13,3 hectares, o parque mantém uma das últimas áreas de mata do bairro de Copacabana, um dos mais densos aglomerados populacionais do país. A área foi formada por terrenos que pertenciam às faixas de proteção de instalações militares, entre as ruas Barata Ribeiro e antiga Rua Suzano.

Apesar da sua vizinhança com uma área urbana tão densamente ocupada, o parque apresenta uma mata importante para amenização climática da região e para a preservação de remanescentes de ecossistemas ali encontrados, inclusive a rica vegetação rupícola das encostas do Morro de São João.

Nele são encontradas as ruínas da casa do índio pescador Teodoro, vestígios da edificação mais antiga do bairro, que teria sido erguida no século XVIII, com pedras, terra e conchas. Teodoro residia no extinto Caminho das Mulas: acesso ao antigo Forte do Vigia. O índio fornecia pescado aos soldados e por isso era o único civil autorizado a residir naquela área militar.

Rico em flora e fauna, o parque é refúgio para espécies como mico-estrela, gambá, tatu, gavião-carijó, coruja, sanhaço, rato do mato e morcegos. Entre as plantas, é possível encontrar carrapeteiras, embaúbas, guatambus, embiras e paineiras. Toda essa diversidade natural ajuda a amenizar o clima da região.

http://www.inea.rj.gov.br/Portal/Agendas/BIODIVERSIDADEEAREASPROTEGIDAS/UnidadesdeConservacao/INEA_008699

https://www.metrorio.com.br/NavegueRio/PontosTuristicosInterna?p_ponto=27

O bairro naqueles tempos era um areal de difícil acesso e geograficamente bem isolado. A frente é banhado pelo oceano aberto sem uma enseada para garantir um porto tranquilo contra as ondas; as costas são guarnecidas por enormes muralhas, os morros do Urubu, da Babilônia, de São João, dos Cabritos, do Cantagalo e do Pavão. Copacabana é a síntese da geografia física carioca: gigantes montanhosos que têm os pés molhados pelo mar.







Detalhe para a Ladeira do Leme (centro-baixo), um dos primeiros acessos para o bairro.


Após a invasão e tomada da cidade pelo corsário francês Duguay-Trouin, em 1711, os cariocas passaram a olhar para o horizonte marinho com olhos de atalaia. Por isso, em 1779, para reforçar as defesas, reformaram-se as fortificações do Reduto do Leme e do Forte do Vigia (este no alto do Morro da Babilônia).



Vista da Praia de Copacabana do alto do Morro do Leme, onde está o Forte Duque de Caxias ou Forte do Leme (dos anos de 1910 e atuais).
A fortificação foi construída em 1776 com o objetivo de alertar as demais fortificações da Baía de Guanabara sobre a aproximação de embarcações inimigas. No início do século XX, houve a modernização das instalações e artilharia (quatro obuses Krupp). O forte foi desativado em 1965 para servir de centro de estudo para militares, área de preservação ambiental (de Mata Atlântica) e espaço de visitação pública.


Foto dos anos 1920-30 tomada do alto do Morro do Cantagalo.
À esquerda no alto, podemos ver uma estrada de terra subindo o Morro da Babilônia. Lá em cima havia um posto de observação militar que, no passado, pertencia ao conjunto de fortes de Copacabana (Forte do Vigia). Até hoje o terreno pertence ao Exército. A Ladeira do Leme (que liga Botafogo a Copacabana) corta a estradinha proibida ao público.

Até a segunda metade do século XIX, para se alcançar as dunas parcialmente cobertas pela vegetação de restinga da virgem Copacabana (local ocupado apenas por algumas colônias de pescadores e grandes chácaras), os visitantes terrestres deveriam ultrapassar os morros que separavam o bairro de Botafogo ou empreender longo percurso por Botafogo, Humaitá e Lagoa.

Foto de fins do século XIX tirada na descida da Ladeira do Leme, no Morro da Babilônia, onde notam-se cabanas de pescadores em primeiro plano.

Copacabana era uma imensa restinga, manchada aqui e ali por verdes oásis com cajueiros, jambeiros, pitangueiras, cactos, palmeiras anãs. Algumas choupanas de sapê - que abrigavam pescadores e escravos vivendo isolados e sobrevivendo da pesca e dos produtos de pequenas hortas - não prognosticavam um belo futuro para a região.

Precisavam vir pelo primeiro bairro através do velho Caminho de São Clemente (atual rua do mesmo nome), e subir pelas trilhas do Morro da Saudade até descer à praia na altura da atual rua Santa Clara. Esse caminho servia para ir aos terrenos da Lagoa, Ipanema e Leblon, e foi usado, em parte, pelo acesso ao Túnel Velho.



Fotos de 1885 do final da Praia de Botafogo. Caminhando pela orla, a ainda existente rua da Passagem [para Copacabana] é acessada no final da praia; virando-se à direita. Esse acesso atualmente leva ao Túnel Novo, que atravessa o Morro da Babilônia.


Nossa Senhora da pedra preciosa

No século XVIII, o nome atual do bairro surgiu após a consagração de uma ermida que existia na ponta rochosa da praia, que situava-se no lado oposto ao Leme, entre Copacabana e Ipanema.

A ermida, erguida por pescadores, permitia que navegantes que aportavam ou zarpavam, seguindo a rota sul, pudessem dirigir suas orações, quando avistavam a igrejinha do mar aberto. Por sua vez, em terra a ermida era vista como "amuleto" contra possíveis invasões estrangeiras, como a de 1711 (curiosamente, logo ali perto, há um pequeno trecho de areia, entre o Forte e a Praia do Arpoador, chamado Praia do Diabo).

Uma imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi enviada de presente pelo governo boliviano. A fim de abrigar a santa, escolheu-se a citada ponta da praia para se erigir uma capela.


Foto dos anos 1880

Foto de c.1895

A Igrejinha de Copacabana ficava no promontório onde hoje é o Forte de Copacabana. O fundador e a data em que foi edificada ficaram perdidos no tempo. Sabe-se apenas que era deveras antiga, provavelmente foi erguida no início do século XVII. Já em 1732 o bispo frei Antônio de Guadalupe, estando a ermida em ruínas, ordenava consertos no telhado, paredes e alpendres. Foi desapropriada por decreto do dia 20 de março de 1918 e demolida no mesmo ano. A imagem de Nossa Senhora de Copacabana foi recolhida pela família Tefé a sua residência em Corrêas, Petrópolis-RJ.



O jornalista e cronista João do Rio mostrou que os festejos de fim de ano tomavam conta do bairro já no início do século XX. Em A alma encantadora das ruas do Rio (1908), a missa do galo realizada na igrejinha atraía uma multidão agitada, pouco afeita ao sagrado culto natalino:

Cerca de três mil pessoas — pessoas de todas as classes, desde a mais alta e a mais rica à mais pobre e à mais baixa, enchia aquele trecho, subia promontório acima. E o aspecto era edificante. Grupos de rapazes apostavam em altos berros subir à igreja pela rocha; mulheres em desvario galgavam a correr por outro lado, patinhando a lama viscosa. Todos os trajes, todas as cores se confundiam num amálgama formidável, todos os temperamentos, todas as taras, todos os excessos, todas as perversões se entrelaçavam. Quis notar o elemento predominante. Num trecho havia mais pretas com soldados. Adiante logo, o domínio era de gente de serviço braçal, um pouco mais longe a tropa se fazia de rapazelhos do comércio e, se dávamos um passo, outro grupo de mocinhas com senhores conquistadores se nos antolhava. Todo esse pessoal gritava.
[...]
A igrejinha estava toda iluminada exteriormente à luz elétrica. Defronte de sua fachada lateral haviam armado um botequim. A turba arfava aí, presa entre a bodega e o templo. Quando eu passei, porém, a bodega fora devorada e bebida. Os caixeiros tinham trepado para os balcões no desejo de apreciar a cena. Fiz um violento esforço para entrar na igreja. À porta havia uma verdadeira luta e dentro ninguém se podia mexer.

[Trecho da crônica Como se ouve a missa do "galo"]

Não lembra algo do réveillon de hoje em Copacabana?

Foto de 1918, tirada do alto do Morro da Babilônia, mostrando a ponta da praia (do centro à esquerda) que recebeu a fortificação dois anos antes.

O nome Copakawana significa em quíchua (uma das línguas dos nativos do Peru e Bolívia) “mirante azul”, e em aymara arcaico, “quem atira a pedra preciosa”. Cerca de 200 anos depois, a santa da igreja deu nome também a uma das principais avenidas.

Sob o governo do presidente e marechal Hermes da Fonseca, o templo foi derrubado para ceder local a outro forte no bairro, hoje Museu Histórico do Exército – Forte Copacabana, na Praça Coronel Eugênio Franco.






O forte foi inaugurado em 28 de setembro de 1914. Após a Segunda Guerra Mundial, a fortaleza aos poucos tornou-se obsoleta até ser totalmente desativada em 1987 para abrigar o Museu Histórico do Exército.

Mais informações sobre os fortes (no meio da página):

P’ra passear à beira-mar... Copacabana!
(Trecho de Sábado em Copacabana, 1955, de Carlos Guinle e Dorival Caymmi)

Em 1855, o proprietário de terra José Martins Barroso desbravou a Ladeira do Barroso, atual Tabajaras, permitindo, assim, a passagem de carruagens e cavalos até onde se encontra a Rua Siqueira Campos.


Foto de c.1900 do alto do Morro da Babilônia (sentido Arpoador).


Foto de 1953 no mesmo morro (sentido Leme).


Alto da Babilônia (sentido Praia Vermelha) durante as filmagens do longa-metragem franco-ítalo-brasileiro Orfeu Negro (1959).

As favelas no alto dos morros foram os únicos espaços, onde a infraestrutura da urbanização não alcançou. Além dos cariocas mais "desvalidos", militares de baixa patente (cabos e sargentos) e suas famílias, pelo soldo baixo, começaram a formar as favelas de Copacabana, pois, assim, poderiam residir próximos ao Centro, no lugar do subúrbio carioca.

Em agosto de 1858, nasceu a história do primeiro grande evento do bairro: correu a nova do encalhe de duas baleias na orla de Copacabana. O caso atraiu diversas pessoas, inclusive o imperador D. Pedro II, que foi ao local acompanhado de enorme comitiva. No entanto, os grandes cetáceos não foram vistos. Isso iniciou o costume dos passeios, piqueniques e acampamentos à beira-mar no local.

A Praia de Copacabana já foi considerada um balneário terapêutico, pois os banhos em mar aberto eram considerados mais salubres do que os das águas “estagnadas” da Guanabara.


Balneário na década de 1920 repleto de casarões (vê-se o hotel Copacabana Palace, recém-inaugurado, no alto à direita).


Vista do terraço do Copacabana Palace recém-inaugurado (Praia do Leme ao fundo).


Foto, da mesma época da de cima, tirada no terraço de um casarão no Leme.


Av. Atlântica, na altura do Posto 6, no início da década de 1920.


Próximo ao local da foto anterior ficava o obelisco: marco do alargamento da av. Atlântica (em 1919) feito do granito vindo dos morros desmembrados do Centro da cidade, e que também compunha as extintas muradas da orla (hoje o monumento está próximo à entrada do Forte do Leme, na outra ponta da praia).


 Obras de alargamento da av. Atlântida (1919).


A mesma avenida em 1919.
Num "piscar de olhos", as casas, carroças e bondes cederiam espaço aos edifícios altos e automóveis.


Início dos anos de 1930, quando havia somente casas (ponto de vista próximo aos Forte de Copacabana).


 Av. Atlântica com a rua Djalma Ulrich (anos 1930-40).


Vista da orla da entrada do Copacabana Palace em 1932.


Orla em 1936 (vista da entrada do Copacabana Palace).


Orla nos anos 1950.


Abertura da rua Raimundo Correia, esquina com N. Sra. de Copacabana, no fim dos anos 1920.


Singela casa da rua Sá Ferreira, em 1927, que em breve seria devorada pela especulação imobiliária.


Trecho da rua Barata Ribeiro em 1928 (a maior parte das casas estavam com os dias contados).


Rua Barata Ribeiro em 1928 (sentido Ipanema).


Final da rua Leopoldo Miguez nos anos 1920.


Rua Toneleiro em 1929.


 Já na década de 1920 a urbanização andava a passos largos: a ainda nova rua Barata Ribeiro (no centro) entre as transversais Santa Clara e Constante Ramos.

Rua Barata Ribeiro, ainda nos idos de 1920, com a rua Duvivier (ainda uma viela de terra à esquerda). O morro à esquerda é a parte detrás da Pedra do Inhangá.
Ambas as fotos foram tiradas no Morro de São João.


Foto dos anos de 1920. O espaço em 1º plano hoje pertence à Praça Cardeal Arcoverde, que na época servia de curral para os burros que puxavam os carros da região (no canto esquerdo, parte da "finada" Pedra do Inhangá).


Vista do alto do Morro do Cantagalo, década de 1930.


Já nos anos de 1930, graça ao transporte de bondes, quase todo o bairro possuía iluminação elétrica.

O médico Figueiredo Magalhães (hoje nome de uma rua do bairro) foi dono de um serviço de transporte por diligências (carruagens para transporte público), iniciado em 1878, voltado aos enfermos que se estalavam em uma casa de saúde com hotel anexo.

Nesta parte da praia, na altura do Posto 6 atual, ficava, no canto direito da foto, a casa-sede do antigo cabo submarino de telégrafo (instalado em 1873).



Foto de c.1895 mostrando a antiga colônia de pescadores.


Foto, tirada no mesmo local, por volta de 1910. Nota-se a "alta velocidade" da urbanização.

Três fotos tiradas na ponta onde hoje está o Forte de Copacabana, próximo ao Posto 6. Ao fundo e no alto, vemos o Morro Dois Irmãos e, atrás dele, a Pedra da Gávea, que indicam o bairro vizinho de Ipanema (ligado pela rua Francisco Otaviano, no canto esquerdo da foto logo acima).

Essas diligências foram os primeiros veículos públicos às praias da zona sul. O percurso ligava a Praia de Botafogo (no canto da Rua São Clemente) à de Copacabana, seguindo pelo sentido oposto ao hospital de alienados da Urca (atual campus da UFRJ), contornando o Morro do Pasmado, entrando na Rua da Passagem (antes denominada Caminho de Copacabana) e subindo a íngreme Ladeira do Leme, através do Morro da Babilônia.

Veias abertas: os túneis

Mais tarde foram construídos caminhos mais viáveis. Partindo do lado de Botafogo, próximo ao Cemitério São João Batista, passando pelas ruas Real Grandeza e Villa Rica, foi aberta a primeira grande comunicação entre Botafogo e Copacabana: o Túnel Velho (Túnel Prefeito Alaor Prata), em 1892. O acontecimento marcou o nascimento do bairro.




Três fotos a cima da época da abertura do Túnel Velho.

Vista da entrada do Túnel Velho do lado de Copacabana (c.1920).


A foto a cima registrou o Túnel Novo recém-aberto e o bairro ainda com poucos imóveis.

Consequentemente, em 1906, outro túnel foi aberto perfurando-se o Morro da Babilônia: o Túnel Novo (atualmente são dois: Túnel Engenheiro Coelho Cintra e Marques Porto). A partir de então, o início da urbanização completa do bairro estava definitivamente selada.


Foto do Túnel Novo recentemente aberto. Com o advento de explosivos e máquinas modernas, no século XX, a construção de túneis e estradas tornou-se mais viável.


Túnel Novo na década de 1950, quando os bondes dividiam a pista com os carros.


Últimos bondes elétricos a passarem pelos túneis de Copacabana em 1963.

Em 1941, a galeria do Túnel Novo foi alargada, o que permitiu que carros também trafegassem por ela. Até então, somente bondes passavam por lá e iam até o Posto 6. Tal crescimento era necessário, pois na década de 1930, Copacabana passou por uma explosão populacional.

Em 1949, foi construída uma galeria paralela (Túnel Engenheiro Marques Porto). Dessa forma, a Avenida Princesa Isabel foi alargada e ganhou seu canteiro central. Na década de 1960, a avenida ganhou o traçado conhecido.

 Foto da década de 1950 da Avenida Princesa Isabel (ao fundo, ruínas do Hotel Vogue, incendiado em 1955, que forçava o desvio do trânsito até a Av. Atlântida).

Traçada em 1884 por Alexandre Wagner, engenheiro e proprietário de terras no Leme no final do século XIX, a Av. Princesa Isabel originalmente se chamava Rua Salvador Correia, em homenagem a um governador do Rio de Janeiro. 

Ganhou a atual importância somente a partir de 1904, quando o prefeito Pereira Passos realizou reformas urbanas e abriu o Túnel Novo e a Avenida Atlântica. Dessa forma, a Princesa Isabel tornou-se o principal acesso à Copacabana.

Em comemoração aos 50 anos da Lei Áurea, em 13 de maio 1938, a avenida teve seu nome alterado para o nome da Libertadora dos Escravos.


Pedras portuguesas com certeza

O internacionalmente conhecido traçado do calçadão foi baseado no da Praça do Rocio, em Lisboa, que representa o encontro das águas doces do rio Tejo com o Oceano Atlântico. Com cerca de 4.150 metros, a calçada percorre as praias do Leme e de Copacabana.



O calçadão foi construído pelo prefeito Pereira Passos, em 1906. As pedras bicoloridas (calcita branca e basalto negro) foram, no início, importadas de Portugal. O prefeito também trouxe de lá um grupo de calceteiros (profissionais utilizados até hoje na manutenção das calçadas com pedras portuguesas).


Foto de 1954.

Av. Atlântica nos anos de 1960.

A quantidade de pedras trazidas foi tão grande que calçaram também toda a Avenida Central (atual Rio Branco, no Centro). Logo depois foram descobertas jazidas dessas pedras por todo o Brasil, o que viabilizou esse tipo de calçamento também em outras cidades.

Praia do Leme com o Morro do Vigia c.1900-10.

Raro registro fotográfico do Leme com seus casarões à beira-mar (anos de 1910-20).


Resultado da ressaca na Praia do Leme no início do ano de 1919.

O calçamento com pedras ainda novas, década de 1920.




Duas fotos da Ressaca de 1921 que danificou a calçada da Praia do Leme.


A ressaca de 1924 destruiu toda a pavimentação na altura do Copacabana Palace (visto no fundo um pouco à direita).


Ressaca no Leme em 1936.

No lugar de organizar a construção de imóveis mais longes do mar, a prefeitura optou, anos mais tarde, por "afastar o mar", através do aterramento ou aumento da largura da faixa de areia da orla.

O estilo curvilíneo do calçadão atual só foi delineado a partir de 1970, com o aumento da faixa de areia, o alargamento das pistas da orla e o trabalho artístico de Burle Marx. O paisagista manteve o desenho original, mas aumentou as curvas.

Há cidadãos cariocas que defendem o calçamento de pedras portuguesas apenas em determinados e limitados trechos, e não em quase todas as calçadas da cidade, visto o custo e dificuldade de manutenção (há poucos calceteiros especializados atualmente) e perigo de acidentes aos pedestres, sobretudo de pessoas de idade avançada, por causa da facilidade com que as pedras se soltam.

O Hotel

O mais célebre hotel da praia, o Copacabana Palace Hotel, foi inaugurado em 1923. Inicialmente deveria ser aberto em comemoração ao centenário da Independência do Brasil, mas as obras atrasaram-se. De qualquer modo, o mais luxuoso hotel do país, naquele tempo, deu o maior impulso ao processo de instalação de estabelecimentos hoteleiros no bairro.






 Fundos do Hotel com a ainda nova av. N.Sra. de Copacabana.
Abaixo estão fotos das dependências, como a famosa piscina.


Copacabana Palace, ainda com belos postes de luz elétrica na entrada, e Avenida Atlântica em 1934.






O Copacabana Palace foi desenhado pelo arquiteto Joseph Gire, que se inspirou em dois hotéis dos mais glamourosos balneários da França (na costa do Mediterrâneo), o Negresco, de Nice, e o Carlton, de Cannes. Pertenceu à abastada família Guinle, e a partir de 1989, à cadeia hoteleira Orient-Express Hotels, cuja sede fica nas Bermudas.




Em 1933, serviu de locação ao filme Flying Down to Rio (Voando para o Rio), no qual Fred Astaire e Ginger Rogers dançaram juntos pela primeira vez.


Copacabana Palace visto da nova pavimentação da orla.



A recém-aberta av. N. Sr.ª de Copacabana com trilhos de bonde, o Copacabana Palece e parte do Inhangá (no fundo central-direito).

Algumas celebridades que se hospedaram e assinaram o famoso Livro de Ouro do hotel: Washington Luis, Santos Dumont, Arthur Bernardes, Edward VIII e George VI do Reino Unido, Theodore Roosevelt, Guglielmo Marconi, Igor Stravinsky, Arturo Toscanini, Walt Disney, Bing Crosby, Marlene Dietrich, Ed Sullivan, Orson Welles, Nelson Rockfeller, John Wayne, Ava Gardner, Leonard Bernstein, Brigitte Bardot, Kirk Douglas, Vincent Minelli, The Platters, The Supremes, Gene Kelly, Roman Polanski, Ernesto Geisel, Roberto Carlos, Charles Aznavour, Alain Delon, Príncipe Charles e Lady Diana, Henry Kissinger, Franco Zefirelli, Jacques Cousteau, João Batista Figueiredo, François Mitterand, Gina Lollobrigida, Itamar Franco, Tom Jobim, Pelé, Winnie e Nelson Mandela, Francis Ford Coppola, Robert de Niro, Chuck Berry, Liza Minelli, Bill e Hillary Clinton, Fernando Henrique Cardoso, Carlos Menem, as bandas de rock U2 e Rolling Stones, Anthony Quinn, José Saramago, Juan Carlos e Sofia da Espanha, Ricky Martin, Anthony Hopkins, Luis Inácio Lula da Silva, Nestor Kirchner, Príncipe Andrew do Reino Unido, Al Gore, e Will Smith.

O fim da Alma Solitária

No passado, a orla não era contínua como hoje. A Pedra do Inhangá (nome derivado do tupi anhangá, que significa “alma solitária, errante, ruim ou fantasmagórica”, visto que os ventos, ao passar pelas frestas e vegetação da rocha, produziam sons que apavoravam os indígenas, além de ter sido o ponto isolado mais alto da parte descampada do areal, e por isso, quase sempre atingido pelos raios durante as tempestades): um morro rochoso que naturalmente separava Copacabana e Leme. Essa rocha foi parcialmente demolida nos anos de 1920, quando a prefeitura interligou as duas partes que constituíam a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, até então separadas pelo morro.

Há um bairro na Zona Oeste do Rio, no início da Barra da Tijuca, chamado Itanhagá. Este nome teve origem na grande pedra situada à beira da Lagoa da Tijuca: Ita (pedra) e Anhangá ou "pedra fantasmagórica ou que fala", também devido ao som do ventos, assustador aos nativos indígenas.


Parte do Inhangá visto do areal (c.1900), onde hoje está a Av. Atlântica.

Foto de c.1930 mostrando, ao centro e próximo ao Copacabana Palace (à esquerda), a Pedra do Inhangá, que não era um relevo único: o morro menor está ao lado do hotel, os maiores estão mais no interior do bairro.

Foto dos anos 1920-30 mostrando nitidamente a "crista" de um penedo (ainda existente, pois pertence à área de preservação) do extinto conjunto de morros do Inhangá, próximo às ruas Tonelero, Siqueira Campos e Ladeira dos Tabajaras (sentido direita-esquerda, para o Bairro do Peixoto).


Foto de c.1920, Inhangá ao fundo no centro, logo após as primeiras casas e loteamentos.

A foto de 1916 mostra a parte do Inhangá (à esquerda) mais próxima ao mar (exatamente onde hoje está o luxuoso edifício residencial Chopin, na Av. Atlântica, nº 1782, e demais prédios).


Nesta foto de 1939 da rua República do Peru, observamos, à esquerda, um pedaço do Inhangá ainda em processo de arrasamento.

Em 1934, o costão do Inhangá que dava para a Avenida Atlântica também foi parcialmente cortado para a construção dos anexos do Copacabana Palace. Por fim, em 1951, a pedra foi desmontada por completo para a construção de edifícios residenciais de luxo. Hoje resta apenas uma parte de rocha próxima à praça Cardeal Arcoverde. A separação dos bairros de Copacabana e Leme passou a ser a avenida Princesa Isabel (cerca de 300 metros dali), que surgiu com a abertura do Túnel Novo.

Copacabana esta semana o mar sou eu...
(Trecho de Paralelas, 1974, de Belchior)

A história de um bairro é o reflexo das pessoas que dão vida ao local.

O REI BANHISTA

A vinda de Alberto I da Bélgica (1875-1934) e sua esposa, a rainha Elizabeth (1876-1965), tinha um significado especial para o Brasil. Seria uma oportunidade sem igual para divulgar o país na Europa: um perfeito representante da civilização poderia testemunhar o progresso nacional e justificar a inclusão do Brasil entre as grandes nações do mundo.

Na Europa, Alberto era conhecido como o Rei-Herói, ou Rei-Soldado, fama conquistada durante a Primeira Guerra Mundial. Quando a Bélgica foi invadida pela Alemanha, em 1914, o monarca se colocou à frente das tropas e, mesmo diante de um inimigo mais forte, participou da ofensiva que levou à vitória dos aliados. Terminada a guerra, a Conferência de Versalhes [em 1919] permitiu uma aproximação entre Epitácio Pessoa (1865-1942), chefe da delegação brasileira e recém-eleito presidente da República, e o líder belga. No evento, o rei Alberto foi convidado a conhecer o Brasil [em 1920].

Nas 14 alvoradas que passou no Rio, o monarca saltava da cama diretamente para a praia de Copacabana. Todo dia era dia de banho de mar.

Chegava pouco antes das 7 horas, trocava de roupa num palacete da Avenida Atlântica [já que o Copacabana Palace só foi construído em 1923] e seguia de carro para a enseada do Posto 6. A notícia se espalhou no primeiro dia e logo atraiu milhares de pessoas, que passaram a assistir, da avenida e das areias, aos banhos do rei. Até dentro do mar, guardando uma distância respeitosa, dezenas de banhistas seguiam os exercícios de natação de sua majestade. A multidão aplaudia o Rei-Herói.


Albert e Elisabeth em 1900, época do noivado do casal real da Bélgica.
Ambos tinham por volta de 45 anos quando visitaram o Brasil.

Os moradores do bairro se organizariam para prover a praia de serviços de socorro a banhistas: em 1o de junho de 1917 foi inaugurado o serviço de salvamento da Prefeitura, com seis postos de sauvetage. Ainda assim, a praia da moda, em 1920, era a do Flamengo.

Não se usava a expressão “ir à praia”, mas sim “ir ao banho de mar”, pois a permanência das pessoas não era valorizada. Os banhos de mar deveriam ser de manhã cedo ou no final da tarde, em horário determinado por lei: das 5h às 8h e das 17h às 19h, de dezembro a março; das 6h às 9h e das 16h às 18h, de abril a novembro. Não se tomava sol: o padrão de beleza elegante era pele alva, assegurada por cosméticos, chapéus, sombrinhas, guarda-sóis e vestuário. Aos poucos, entretanto, a prática de esportes, principalmente natação, contribuía para a diminuição do tamanho das roupas de banho. Entre as banhistas cariocas apareciam maillots ousados, que deixavam ombros e joelhos de fora.

Duas formas de aproveitar a praia se distinguiam, e os estilos do rei e da rainha eram bons exemplos. Elizabeth banhou-se com menos freqüência e sempre mais tarde que o rei. Entrava no mar acompanhada de um cavalheiro no qual se amparava, segurando-o pela mão. Seus banhos não duravam mais de quinze minutos. Já os banhos do rei eram demorados exercícios de natação. Alberto furava as ondas, dava braçadas vigorosas, nadava centenas de metros e de vez em quando ultrapassava os limites demarcados pelo serviço de salvamento. Certa vez, quando se afastou da costa, foi seguido por duas jovens nadadoras copacabanenses. Ao adverti-las de que era perigoso irem tão longe, teve como resposta que nada temiam, pois eram conhecedoras da praia desde pequenas. E ainda foi desafiado para uma competição – da qual saiu vencedor, é claro. Alberto, além de rei-soldado, era um rei sportman. Representava, junto com essas banhistas, um modo esportivo de ir ao banho, baseado na prática da natação, que concorria com o antigo hábito, justificado no discurso médico.

O Brasil não se achava atrasado em relação aos modernos costumes balneários da Europa. As novas gerações aprendiam a nadar nas piscinas de escolas e clubes desportivos. Agremiações ligadas ao remo ensinavam e promoviam competições de natação. As nadadoras que acompanharam o rei eram a expressão dessa tendência. Mas o que não tinha se generalizado entre os cariocas era a idéia de que Copacabana representava então a melhor praia de banhos do Rio de Janeiro e um dos mais belos pontos turísticos do país. Não por acaso, o roteiro da visita não previa nenhum evento nesse lado da cidade.

Não ficou dúvida sobre o que o país tinha de melhor na opinião do rei: os banhos de mar em Copacabana.

[Alberto I morreu longe do mar, no alto de uma montanha, quando fazia alpinismo em seu país e sofreu uma queda acidental, em 1934, tinha 58 anos. A rainha viúva, Elisabeth, faleceu somente em 1965, aos 89 anos]. 

Trechos do artigo de Paulo Donadio com adições, 7/7/2008: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/tem-rei-no-mar

Os retratos de família abaixo (que aqui mantemos no anonimato) também servem de registro sobre o passado e o rápido processo de transformação de Copacabana.


Atrás da moça está a rua Constante Ramos, em 1936, ainda com casas.

A mesma rua citada acima, em 1946, erigindo imóveis mais altos.


Foto de 1929 (maiôs "comportados" no lugar dos "ousados" biquínis e sungas atuais. Aliás, entre os séculos XIX e XX, havia leis locais que regravam, dentre outros assuntos, sobre o tamanho das roupas e o horário de banho dos frequentadores da praia, a fim de garantir a "decência").


Praia de Copacabana em 1931 (digno balneário europeu da época).

Na foto de 1936, na qual duas irmãs tiveram o privilégio de desfrutar um banho de mar livre da poluição, vemos o Posto 5 sendo construído no alto e à direita.

Família curtindo a praia no final dos anos de 1930.

A "mãe" da garota de Ipanema: uma garota de Copacabana de 1947.

 Av. Atlântica em 1946.

Praia nos anos de 1950.


Foto ilustrada, dos anos de 1950, sobre os coqueiros ainda existentes na praia.

 Praia entre os anos 1940 e 1950.


Vista da cobertura da av. Atlântica, anos 1940-50.

Anos de 1950.

Década de 1960.
A Praia de Copacabana era uma das "passarelas sociais" da moda carioca.


Ônibus na orla dos anos de 1940. Ao fundo esquerdo, Posto (de salva-vidas) 3 e parte da Pedra do Inhangá.


Ponto final de ônibus na Praia do Leme em 1962 (o início do fim dos saudosos e bem menos poluentes bondes elétricos).



Estréia dos ônibus do tipo "jardineira": janelas amplas para a apreciação da paisagem (foto de 1986).

Infelizmente nem toda história é repleta de alegrias. Copacabana também foi palco de acontecimentos trágicos.

Na fortificação que tomou o lugar da primeira igreja do bairro, em 1922, ocorreu a histórica e sangrenta Revolta dos Dezoito do Forte, o primeiro levante do movimento tenentista contra a retrógrada República Velha. O nome de um dos sobreviventes, o tenente Antônio de Siqueira Campos, foi dado a uma já citada rua do bairro.


Monumento em memória aos 18 "mártires" do Levante do Forte: escultor H. Bertazoni (1936).

Em 1954, o jornalista Carlos Lacerda, inimigo político do presidente Getúlio Vargas, sofreu um atentado a tiros na Rua Tonelero, no qual faleceu o major da Força Aérea Rubens Vaz.


Foto de época mostrando Carlos Lacerda, que foi atingido no pé esquerdo, sendo carregado por militares da Aeronáutica. O incidente aumentou a ameaça de deposição de Vargas, fato que o levou ao suicídio.

Em 1958, o assassinato covarde da jovem Aída Curi, na Avenida Atlântica, chocou toda a sociedade.


A estudante Aída Jacob Curi nasceu em Belo Horizonte (MG) e era filha de imigrantes sírios. Recém-saída de um colégio interno de freiras, onde ficou dos seis aos dezoito anos, inocentemente foi atraída a uma cobertura da av. Atlântica por rapazes do bairro, encabeçados pelo "playboy" Ronaldo de Souza Castro, que não conseguindo violentá-la, jogaram Aída, desacordada pelas agressões, do alto do prédio (para tentar simular um suicídio). Os criminosos, apesar de terem sido julgados e encarcerados por algum tempo, hoje estão em liberdade.

Nas últimas décadas do século XX, Copacabana, como outros bairros tradicionais do Rio, sofreu um processo de degradação, sobretudo por causa da favelização dos morros do entorno, do turismo sexual (como cita a música de Chico Buarque, Las Muchachas de Copacabana), da população de rua, da violência urbana, dos diversos tipos poluição, do trânsito caótico, da alta densidade demográfica (muitas pessoas em poucos m²) e da especulação imobiliária.


Construção da primeira estação de bonde do bairro, em 1892, que ficava na altura da atual praça Serzedelo Correia. Notam-se as dunas e vegetação do areal que logo desapareceriam.


Rua Barata Ribeiro em 1892, época da abertura do Túnel Velho e do início da circulação de bondes no bairro (primeiro os de tração animal e mais tarde os elétricos). Há tempos essa paisagem bucólica e balneária, com um dos primeiros bondes (visto no centro da foto), cedeu lugar ao asfalto com trânsito intenso e barulhento.


Praça Sacopenapan atual Praça Cardeal Arcoverde c.1895.


Praça Arcoverde c.1910.


Arcoverde nos anos de 1940.


Av. N.Sra de Copacabana ainda em finalização nos anos de 1920.


Casarões praianos que logo dariam espaço aos edifícios. Na parte de cima da foto, o promontório com a igrejinha que também desapareceria para dar lugar ao Forte. Na parte baixa, a avenida N.Sra de Copacabana ainda de terra. Foto de c.1910.


Foto de fins dos anos 1920 mostrando a Av. N.Sra de Copacabana já asfaltada.

Av. Atlântica em 1920.


Praia nos anos de 1930 (à direita, Copacabana Palace).



Duas fotos panorâmicas dos anos de 1930. Logo em cima há um registro da próspera pescaria de arrastão que garantia o sustento da colônia de pescadores (ao fundo, o Forte).


Foto aérea, dos anos de 1940, da orla de Copacabana (1º plano) com Ipanema e Leblon (no alto à esquerda): bairros oceânicos já bem urbanizados.


Foto dos anos 1920: Belo "solar de balneário" da família Guinle, na Av. Atlântica com a Rua Figueiredo Magalhães, que depois foi adquirido pelo magnata das comunicações Assis Chateaubriand. Hoje o imóvel desapareceu "engolido" pelos prédios.


Vista de uma janela da rua Barata Ribeiro nos anos de 1940 (vemos os primeiros prédios altos serem erguidos no lugar dos casarões, muitos desses edifícios foram derrubados e substituídos por mais novos algumas décadas depois). 

O extinto Cassino Atlântico, na av. Atlântica (anos de 1940). Erguido na década de 1930, também funcionava como casa de espetáculos. Após a proibição dos jogos, em 1946, o imóvel foi derrubado anos depois.


Registro do também extinto edifício Ferrini, que foi erguido por volta de 1930 e situava-se na Av. Atlântica com a rua Sá Ferreira.


Mais um "dinossauro": o hotel Miramar nos anos de 1950.


Av. Atlântica em 1943 (ao fundo, o Leme). A faixa de areia era ainda estreita, pois só receberia o atual aterramento anos depois.

 Foto de 1947 tirada nas dependências do Forte Duque de Caxias (Leme).

Foto de 1948 do Leme.


Orla em idos de 1950.


Espécie em extinção: exemplo de uma antiga residência, com uma vila ao lado esquerdo, que ficava próxima ao Túnel Novo na década de 1950.


Foto da década de 1950 mostra que as línguas negras já manchavam nas areias da praia. No alto, canto esquerdo, vemos o extinto cinema Rian (das diversas salas do bairro, hoje só restaram o cinema Roxy e o Joia).



Três fotos acima dos anos de 1950.


Praça do Lido na década de 1920 (ao fundo, Copacabana Palace em construção).


Avenida Atlântica esquina com Rua Siqueira Campos, em Copacabana - Década 1950.


Praça do Lido em 1951.

Orla no início dos anos de 1950.


Calçadão c.1971.

Praia por volta de 1970.

Av. N.Sra de Copacabana na mesma época.


Com o aumento do fluxo de veículos, foi necessária obras para a duplicação da pista da av. Atlântica em 1970.


Av. Atlântica entre as ruas República do Peru e Paula Freitas em 1971 (ao fundo e à esquerda, as obras da duplicação).

A duplicação finalizada que permanece até hoje.


Av. N.Sra de Copacabana com a rua Constante Ramos. Nota-se a famosa e extinta loja de departamentos Ducal (1971).

Hoje Copacabana perdeu a preferência para outros bairros oceânicos, como Ipanema, Leblon, São Conrado, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes.



O progresso: a esquina da Av. N. Sra de Copacabana com a Rua Santa Clara nos anos de 1950 e 2010.

Sobre imóveis que contam a história do bairro através da arquitetura:
http://www.jornalcopacabana.com.br/ed146/milton.htm

Mais detalhes históricos sobre as ruas do bairro (ao final da página):
http://www.jornalcopacabana.com.br/ed137/milton.htm

Um Oásis de Tranquilidade e Memória: 
Bairro do Peixoto



 Bairro do Peixoto nos anos 1930.

Mesma vista da foto anterior hoje.

Chafariz da praça Edmundo Bittencourt.


O Comendador Paulo Felisberto Peixoto da Fonseca nasceu a 14 de dezembro de 1864, em Portugal, vindo para o Rio de Janeiro com 11 anos. Dedicou-se ao comércio de secos e molhados, onde prosperou muito. Após alguns anos adquiriram uma mercearia.

Depois de 1898 passou também a administrar bens imobiliários de lusitanos no Brasil, quando então adquiriu imensa chácara no areal de Copacabana, entre as ruas Figueiredo Magalhães e Santa Clara. Viúvo em 1929 de Dona Orminda Cunha, brasileira, e sem filhos, passou a se dedicar a obras de caridade. 

Ainda em vida doou todos os seus principais bens para instituições beneficentes lusitanas, sendo que os terrenos de Copacabana foram repartidos entre várias entidades de assistência social e hospitalar de Portugal e do Brasil, principalmente à Caixa de Socorros D. Pedro V. Esta última, solicitou à Prefeitura em 1939 o loteamento das terras de Copacabana, tendo o engenheiro José de Oliveira Reis projetado as ruas Henrique Oswald, Maestro Francisco Braga, Décio Vilares e Praça Edmundo Bittencourt, surgindo então o que se chamou Bairro do Peixoto. 

Ao contrário do restante de Copacabana, somente foram autorizadas construções de poucos pavimentos ou unifamiliares, evitando assim a verticalização do bairro. A única exceção, o edifício São Luiz Rei, desabou fragorosamente em 1951, poucos dias antes de sua inauguração.

O Comendador Peixoto faleceu no Brasil a três de novembro de 1947. Hoje, seu bairro é denominado de Oásis de Copacabana, pela tranqüilidade que apresenta em relação às barulhentas ruas vizinhas.


***  
Contudo, o glamour do passado ficou retido na memória das gerações mais velhas, por isso Copacabana - endereço de antigos artistas do rádio, cinema e televisão - concentra a maior população de idosos da cidade, os quais, ao chegarem à aposentadoria, escolheram o bairro para residir durante as últimas quadras da vida.

Alguns ex ou atuais moradores mais ilustres: os presidentes Eurico Gaspar Dutra, Café Filho, Juscelino Kubitschek, João Goulart, Emílio Garrastazu Médici e Tancredo Neves; os governadores Carlos Lacerda, Magalhães Pinto e Leonel Brizola; o ministro Afrânio de Melo Franco; o jornalista e empresário Assis Chateaubriand; as cantoras Ângela Rô Rô, Elis Regina, Maysa, Elza Soares, Emilinha Borba e Angela Maria; os cantores e compositores Dorival Caymmi, Billy Blanco, Mário Lago, Cauby Peixoto, Braguinha, Nelson Sargento, Roberto Menescal, João Roberto Kelly e Eduardo Dussek; os escritores Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e Ferreira Gullar; o sociólogo Darcy Ribeiro; a atriz e comediante Dercy Gonçalves; a ex-Miss Brasil Marta Rocha e os ex-jogadores de futebol Júnior e Jairzinho.

O maior arquiteto do país, Oscar Niemeyer, apesar de não morar no bairro, escolheu a bela vista do mar de Copacabana para "adornar" as janelas amplas de seu escritório.

Estilhaços sobre Copacabana, o mundo em Copacabana, tudo em Copacabana...

Apesar de todos os problemas, esse logradouro carioca continua a atrair as atenções do mundo positivamente, como descreve a canção Superbacana (1968), de Caetano Veloso (que empresta palavras ao subtítulo acima).

Se o Rio de Janeiro é a porta de entrada do Brasil, Copacabana é a porta do Rio. Aliás, é o bairro que sedia a "abertura dos portões dos anos".



O mundialmente conhecido show de fogos de artifício na Praia de Copacabana, durante a virada do ano, foi iniciado, do ponto de vista empresarial, em 1971, quando uma churrascaria promoveu a primeira queima de fogos no bairro.


Foto do réveillon dos anos de 1980, quando os fogos eram fixados na areia.

No réveillon de 1976, o extinto hotel Méridien-Rio promoveu pela primeira vez a famosa cascata de fogos em seu edifício.

Evidentemente que pessoas soltaram fogos durante a virada de ano nas areias de Copacabana, desde pelo menos a primeira fase da urbanização do bairro (na primeira metade do século XX), a exemplo dos grupos de religiões afro-brasileiras que celebram seus cultos nas noites de 31 de dezembro.

Somente a partir da união da prefeitura com a rede hoteleira do bairro, em 1981, o evento passou a ser oficial e a fazer parte da tradição de fim de ano carioca, a qual atrai milhões de espectadores brasileiros e estrangeiros.


A famosa cascata de fogos do extinto Hotel Méridien (hoje o edifício pertence à rede Windsor).

UM TESTEMUNHO HISTÓRICO SOBRE O RÉVEILLON DE COPACABANA:

O empresário Ricardo Amaral resolveu incrementar a festa que produzia no hotel [Copacabana Palace] - 1981 -  com uma queima de fogos na rua. Para financiar a ideia, usou a boa relação com a família Guinle, então proprietária do hotel.

Nessa primeira edição, em 1981, cerca de 500 pessoas lotaram o Golden Room para assistir à queima de fogos em frente ao Copa. No ano seguinte, a festa se estendeu ao terraço e ao salão nobre, de onde quase 1.200 espectadores viram os fogos. Houve um patrocínio e o foguetório aconteceu também no Leme, onde o empresário Mario, da churrascaria Marius, se somou à empreitada, e no Posto 5.

Em 1983, a festa já começou a atrair a cidade para lá.

Conhecido como o rei da noite carioca, Amaral se encarregou da festa até 1988, quando a prefeitura assumiu a organização do evento. Mas os fogos eram colocados nas areia em cercadinhos, próximos ao público sem nenhuma segurança. A partir de 2001, foram colocados em balsas no mar e, desde então, outras tecnologias vêm se somando para causar mais impacto e inovação.

Aliás, as praias do Rio na virada do ano eram dos devotos de Iemanjá. Eles, através de sua crença proporcionavam lindo espetáculo que atraía muita gente para vê-lo. Montavam desde cedo barracas, cercados de flores - geralmente palma de santa rita -  e nesses terreiros faziam seus cânticos, batuques, agradecimentos, preces. Faziam atendimento ao público e quando a noite chegava aqueles cercados  - e eram muitos ao longo de toda a praia -  acendiam as velas, fazendo desenhos nas areias. Isso acontecia não só em Copacabana. As praias de maior presença dos cultos da Umbanda à Iemanjá eram Copacabana, Flamengo, Praia da Bica , na Ilha do Governador e Praia Vermelha.. Muitos centros de umbanda, no entanto, preferiam as cachoeiras, onde existe o ritual até hoje.

Copacabana era o local mais procurado para se ir ver esses rituais que se transformavam em espetáculos. Ao longo da praia surgia um desenho singular de luzes e do branco dominante das roupas das mães de santo e seguidores. À meia-noite todos os centros e seus participantes entravam no mar para suas oferendas e surgia um novo espetáculo de cores, barcos enfeitados e muitas flores.

Na verdade, réveillon na praia era isso. Era ver esse tempo de devoção, que transformava as praias cariocas em templo. Era um espetáculo belíssimo.


Com o surgimento dos fogos, em 1981, o espaço para a prática religiosa foi tirado e o foco se tornou a queima de fogos.

Fonte: http://rioquemoranomar.blogspot.com.br/2012/12/como-comecou-o-reveillon-em-copacabana.html





Três fotos do réveillon na orla de Copacabana vistos do Sumaré (o ponto mais alto da cidade).

Fontes: 
Folha Cultural, jul. 2012;
Jornal Opção Natural, jul. 2012.

Um site muito rico de natureza semelhante: 
http://ama2345decopacabana.wordpress.com/planejamento-urbano/processo-de-urbanizacao-em-copacabana/

Dica de leitura: 
A invenção de Copacabana (2013), de Julia O'Donnell, ed. Zahar.

9 comentários:

  1. Estou precisando da foto do Forte de Copacabana e do encouraçado Tamandaré. (1955). Podem me ajudar? ovilai@ig.com.br

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  2. Maravilhoso documentário. Parabéns!!!!

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  3. obrigado pela visualização Ivani, conto com sua divulgação!

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  4. Oi:

    Que blog completo mesmo!
    Confesso que aprendi dando uma olhada neste...
    Alias encontrei por uma foto de COMO SERIA HÁ MUITO TEMPO. E deviam ser bons tempos mesmo; sem o caos da cidade - alias CAOS SE ENCONTRA EM GRANDE PARTE DO BRASIL.
    Também sou oriundo do RJ, só que resido na capital gaúcha há 21 anos: e até digo que está mais complicado que aí. Triste mesmo.
    E até temos mais uma coisa em comum _ também me graduei em 1999/só que em TURISMO (na PUC daqui). Tive colegas de outros Estados e alguns do RJ. E poucos estrangeiros.
    Salientas os bairros COPACABANA & LEME. Ia muito nestes quando menor. Minha família teve origens num destes. E sempre ficava impressionado com o 'mundo' que é Copacabana. Confesso que prefiro o LEME (menos agitado). Até tenho fotos de familiares na mesma década que aparece em algumas no blog.
    Seria isso. Caso queiras alguma informação daqui do ES só mandar.

    Tchau,
    Rodrigo Rosa ocadul@gmail.com

    * Ouvi falar que o termo IPANEMA significa "água podre". Alias há bairros aqui em POA com nomes daí do RJ (Ipanema, Jardim Botânico: e ruas com nomes de outros bairros). E recentemente SURGEM NOVOS BAIRROS AQUI.

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    1. obrigado amigo anônimo do RS, eu adoro a sua terra, sobretudo o clima mais ameno, um dia hei de morar de vez em suas serras. Se precisar irei perguntar sobre coisas daí do sul, grato.

      sobre Ipanema, como coloquei próximo do início desse blog mesmo, o nome em tupi significa isso mesmo, mas veio de uma localidade e de um rio de Iperó-SP, terra natal do 2o Barão de Ipanema, principal empreendedor imobiliário do bairro em fins do séc. XIX.

      Um abraço.

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  5. Olá amigo. Em algum lugar deste excelente Blog, está escrito alguma coisa coisa sobre um desabamento do edifício São Luiz Rei, e dizendo que ocorreu no ano de 1951. O desabamento ocorreu, mas não neste ano e sim no ano de 1958 no finalzinho do mês de janeiro. Qua a correção seja feita a bem da verdade.

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  6. Encantada com o post. Quero lê-lo com mais calma ainda. Vim pelas imagens. Mas eu também tentei escrever sobre Copa- mas ta resumido. aoseutempo.blogspot.com

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